Falta
Tenho saudades dos meus tempos de criança.
Sinto falta de tudo o que me rodeava,
até mesmo de uma escuridão simples
alimentada pela solidão que até hoje surge nos momentos de vulnerabilidade!
Do azul que parecia verde,
do marrom que regia os caules sertanejos.
Dos amigos infantis e inocentes,
da família que hoje se tornou mais distante.
Brincadeiras ao entardecer, pessoas não mais vistas.
Sinto falta da minha adolescência,
das trilhas sonoras que marcaram os dias de reflexão sobre as novas descobertas.
Uma legião meio que urbana de pensamentos, dúvidas, objetivos...
Até mesmo paixões avassaladoras, ilusões e desilusões.
Me falta aqui, neste instante, coisas que não mais possuo entre as mãos,
todavia ainda estão vivas na memória íntima que me prende eternamente à vida.
Sinto falta das cômicas conversas com os amigos de classe,
das brincadeiras ao telefone, das indecisões em relação aos fatos que estavam por vir.
Da metamorfose que além de ser ambulante, também parecia um pouco sedentária.
Falta, é ela que ma inspira nesta noite quente e carioca.
A grande falta que sinto me deu maturidade, senso crítico.
A mesma que antes doía e que hoje ainda dói, mas com uma intensidade suportável.
Aprendi a sentir falta de diversas coisas, momentos, pessoas, faces, comportamentos
e isso me fez crescer bastante.
Por aqui finalizo com um segmento de palavras que nem mesmo sei qual é ainda,
mas que a falta me fará agora mesmo criar:
Nada melhor do saber sentir falta, do que saber sofrer com saudades saudáveis, humildes,
falta dos simples fatos e das vidas simples que tivemos, falta dos amores que se eternizaram e que a qualquer momento poderão reascender involuntariamente.
Saibamos sentir falta, com a cabeça erguida e com a certeza de que em breve também sentiremos falta do que somos e do que vivemos agora, pois a vida é feita e contruída de lembranças, tanto boas quanto ruins!
Por Allan Kardec em 03/02/2011.

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